Abertura: 5 de setembro de 2008 às 19h

Visitação: de 6 de setembro a 18 de outubro de 2008
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sábados das 10h às 17h30

Galeria do Ateliê
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Memória de um conjunto habitacional e objetos de memória


États des lieux é um projeto composto de três séries fotográficas que propõem um percurso através de uma pesquisa artística em torno de dois eixos principais: a representação da paisagem urbana – seguindo suas próprias questões e particularidades, no seio da fotografia contemporânea – e de uma memória impregnando as imagens, lugares e indivíduos que aí vivem ou viveram. Partindo de um conjunto habitacional abandonado, fadado à destruição, graças a um plano de reestruturação do bairro no qual se encontrava – um bairro popular, ainda em atividade e habitado –, era fundamental para a proposta questionar a imagem fotográfica em sua possível passagem de um gênero documentário a um gênero artístico.

O resultado é uma primeira série intitulada Lugares, concebida como uma montagem a partir de uma visão global “fragmentada”, onde cada imagem se sobrepõe e se relaciona com as outras, como fotogramas. Ela é composta de 46 fotografias em cor e 2 textos, através dos quais opera-se uma aproximação progressiva desde os limites periféricos do bairro em direção ao imóvel, figura e objeto principal desta pesquisa. Em segundo lugar, era também essencial evocar a questão da memória, explorando de mais perto, no interior da própria estrutura deste conjunto habitacional, a presença de traços das habitações através de elementos esparsos deixados nos apartamentos após sua evacuação: “impressões” de objetos nas paredes e no chão, bem como restos de objetos materiais. Como resultado, chega-se a uma série de 61 fotos em preto e branco, acompanhadas de 11 textos, redigidos pelos antigos ocupantes que ali viveram, sugeridos pelo tema comum: “meu cômodo preferido”. Esta série, chamada Inventário, prossegue com uma busca pela ausência, pela ativação de um dispositivo similar ao do arquivo. Este dispositivo tende a levar em conta memórias individuais que, coletadas e reunidas, compõem uma memória coletiva que dá forma material à história desses lugares.

Este segundo tema leva ao desejo de interrogar a questão da memória através de uma terceira série, intitulada Fetiches, centrada em torno do tema do objeto. O “fetiche” é aqui visto como um “reativador” de memória. Esta série é composta de 10 retratos fotográficos em preto e branco, nos quais se cria um paradoxo gerado pelo não reconhecimento do(a) proprietário(a), cujo rosto é omitido afim de concentrar toda a atenção num objeto específico que cada pessoa possuía, um objeto de estimação que os fazia lembrar um momento particular de suas vidas. A escolha de tal dispositivo visa a concretizar um “deslocamento”, tanto iconográfico, quanto simbólico, da definição usual de retrato.



Estas três séries propõem, assim, um olhar sobre nosso entorno, seja ele urbano ou humano, partindo de um ponto de vista global – um bairro, um conjunto habitacional, um edifício – em direção a um ponto de vista mais particular (um indivíduo, um objeto). Este projeto nos convida a refletir sobre o estatuto das imagens contemporâneas, em torno da noção de um real presumido por uma imagem que serve de instrumento de reativação de nossa memória adormecida, a partir de objetos muitas vezes tirados de nosso cotidiano, representados aqui por meio de uma galeria de retratos e gestos.

Samuel de Jésus

Mestre em Artes Plásticas pela Universidade de Paris I-Panthéon Sorbonne e doutorando em co-tutela na Universidade de Paris III-Sorbonne Nouvelle e na Universidade Fereral do Rio de Janeiro, sob orientação de Philippe Dubois e Consuelo Lins. Sua pesquisa envolve questões ligadas à temática da saudade e suas representações nas fotografias francesa e brasileira contemporêanas desde 1960, sob o ponto-de-vista da estética da imagem. Fotógrafo e antigo estudante de artes plásticas na França e em Nova York, realizou exposições de suas obras em Paris (Galerie des Beaux-Arts), Marselha, Brest (La Passerelle), Rennes (La Criée) e Tours (Centro Regional da Arte Dramática).

Trabalhou na pesquisa e montagem de exposições na França sobre Roman Opalka (1992) Tadashi kawamata (1996), Pierre Joseph (1998) e da fotógrafa Chrystèle Lerisse (Galerie Baudoin Lebon, 2006) e também participou na realização do catálogo que acompanhou a retrospectiva Agnès Varda - o movimento perpétuo do olhar (2006) no Centro Cultural Banco do Brasil.



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